Chamo-me David De Los Reyes Canovas, e foi consultor de SAP nos últimos 12 anos. As minhas áreas de conhecimento incidem, sobretudo, em módulos de contabilidade financeira e controlling. Durante estes 12 anos, tal como o resto dos “Sapeiros”, assisti (e sofri) a muitas alterações, novas tabelas, novos processos, novas transações, inclusive a novos módulos. Sem esquecer as novas tecnologias como a base de dados na memória e as novas interfaces de utilizador como, primeiro, o NWBC e, agora, os ambientes FIORI.
Com tudo isto, pretendo sublinhar que quando converge pela via do SAP deve escolher a aprendizagem e a capacidade de adaptação como companheiros de viagem se não quiser ficar de fora na primeira alteração.

O último desafio? Evoluir de consultor “clássico” para consultor na nuvem. Não é um caminho fácil. No princípio, assim como acho que muitos outros consultores, estava cético. A mim, e de certeza que a vocês também, chegavam comentários do tipo:
“Não se pode parametrizar nada”
“Está tudo em camadas”
“É um prepa…”
“O que vão fazer os consultores agora?”

Nenhum destes comentários é de todo correto nem de todo falso, mas todos fazem sentido. Ou seja, faz parte da natureza humana rejeitar as alterações, pelo menos, enquanto estas possam ser rejeitadas. Mas há um desses comentários que está mais correto do que os outros, e refiro-me àquela pergunta que, como consultores, devemos responder: e agora o que fazemos?

Nós, consultores, orquestramos sempre o nosso poder à volta do conhecimento técnico: conhecer a BAPI, conhecer a saída (exit), conhecer o BTE, saber detetar erros ou até programar.

Se, de repente, nos tiram tudo isso, o que é que nos resta? É como se nos devolvessem o Crípton depois de passar 10 anos na Terra. A rejeição inicial é, portanto, inevitável.
Há dois anos que estou a trabalhar em projetos CLOUD, na versão MTE (multi-tenant edition). E gostaria de partilhar convosco 5 lições apreendidas:

1 – Nunca ofereça cloud a quem não quer cloud

A nuvem não é para toda a gente, tem uma série de vantagens muito concretas que devem ser valorizadas pelo público-alvo a quem é dirigida e tem uma série de inconvenientes muito concretos também para esse público-alvo compreender, aceitar e assumir.
Na verdade, as empresas que pretendem optar por uma instalação Cloud devem passar por um processo de validação denominado Brand Guardian que garante que são candidatos adequados para tal.

Se a empresa cliente não aposta na inovação contínua, na padronização e na simplificação dos seus processos não é um cliente Cloud.

2 – Conhecer o produto que é lançado com a solução cloud é essencial

É preciso investir tempo e ter a mente aberta para redescobrir os processos padrão e valorizá-los. Devemos conhecer e compreender cada processo e a sua razão. Neste âmbito, pode ajudar-nos muito a página https://rapid.sap.com/bp/. Nesta página encontram-se recolhidas as melhores práticas de todos os processos perfeitamente explicadas e também contextualizadas com exemplos de negócio.

3 –  Nem todos os processos são iguais e nem todos contribuem de modo idêntico

Muitos clientes e consultores transmitem-me as suas preocupações sobre como se irão diferenciar se todos os processos são padrão. Bem, permitem-me que vos diga algo, não será por mais bem calculada que esteja a sua amortização nem tampouco por mais bem definido que tenha o processo de pagamentos por SEPA.
Os processos importantes, os que oferecem valor acrescentado de verdade, são os que os nossos clientes entendem como tal, devemos investir nesses e para isso a nuvem oferece-nos uma ferramenta, que se chama SCP, onde podem ser personalizados os processos mais importantes.

Devemos investir mais nos processos mais importantes. Nos restantes processos, menos importantes, é melhor investir outra coisa.

4 -A linha no horizonte

De modo preciso, esta ferramenta caracteriza-se pela inovação e melhoria contínua. Um consultor de Cloud deve conhecer sempre o roteiro (roadmap) do SAP, as novidades que vão sendo lançadas com um ano à frente, para isso pode ser-vos muito útil a página https://go.support.sap.com/roadmapviewer/, onde vão sendo lançadas essas melhorias de acordo com o calendário.

Se não investirmos em manter os processos que não nos interessam podemos investir em integrar coisas que o fazem – Que tal machine learning? Ou análise preditiva? Ou novos KPI? Com certeza, estes últimos, bem como inúmeros relatórios, podem ser criados de forma simples mediante os CDS (Core Data Services).

5- Conhecer a metodologia de implantação e trabalhar em estreita ligação com SAP

Numa implantação Cloud a metodologia é tudo isso e conhecer e trabalhar com SAP. Devemos sempre trabalhar seguindo a metodologia ACTIVATE para Cloud, que também podemos encontrar na página https://go.support.sap.com/roadmapviewer/. Nesta metodologia são estruturadas as diferentes etapas da implantação, a documentação necessária, os pontos de colaboração com SAP e ainda conselhos para enfrentar reuniões complexas no âmbito da adaptação ao padrão.

Devemos conhecer e aproveitar toda a documentação que SAP coloca à nossa disposição e é atualizada a cada 3 meses com novas atualizações.

Para terminar, uma breve reflexão. Acredito, e sempre acreditei, que um consultor é o resultado dos seus mentores, da sua experiência e da sua atitude. Quando comecei não tinha experiência, mas sim atitude e também sorte com os mentores que me foram atribuídos e que me incutiram uma predisposição natural para utilizar processos padrão. Segundo as palavras de um desses mentores:

“Um bom consultor é capaz de adaptar o sistema para que se comporte como o cliente pediu, mas um consultor munificente é capaz de transmitir ao cliente os processos padrão e valorizá-los, para que em última instância seja o cliente a escolher adaptar-se ao sistema.”

Talvez seja por essa predisposição que não me assusto demasiado quando começo a ouvir “Public Cloud”.